sábado, 19 de setembro de 2015

Sou viciada por pessoas.
Verdadeiramente obcecada por elas.
Não é raro me pegar observando-as
Seus perfis, seus olhos e olhares
Seus pelos, seus cabelos, suas expressões
Suas cores, seus hábitos, seus arrepios
Seus sorrisos e seus dentes

Cada fenda em suas mãos é viciante
O que pegaram?
O que amaram?

Sou autora da história de cada um
Veja, por exemplo, aquela mulher velha
Aquela mesma, com a áurea azul-escuro e cabelos arrepiados
Sabe o motivo daquele vinco ao redor dos lábios?
Já sorriu muito uma época
Hoje, lhe restou só a cicatriz
que o tempo fez questão de deixar
como se fosse um porta-retrato

E aquele homem
Ainda tão novo para uma coluna tão arcada
Quem sabe quanto peso da vida já suportou?
Tenho pra mim que é infeliz com algo
Algum trauma de infância, talvez?
Quem sabe?
Também não tenho certeza
Pois da história da vida,
sou só narrador observador






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